Brasileiros terão de fazer prova de inglês para jogar futebol na Inglaterra

De acordo com novas regras de imigração baseadas em um sistema de pontos, os atletas terão de demonstrar conhecimento da língua inglesa antes de obter vistos de trabalho com duração de até três anos.

"[Esses profissionais] precisarão falar inglês de nível básico", diz o documento do governo britânico ao qual à BBC Brasil teve acesso. "Isso inclui capacidade para entender e usar expressões e frases do dia-a-dia, saber se apresentar, perguntar e responder sobre informações pessoais."

AFP
Novas regras não atingem quem já atua no futebol inglês, como o argentino Mascherano (à esq.) e o brasileiro Elano



Em entrevista a jornalistas britânicos na terça-feira, o secretário britânico de Imigração, Liam Byrne, disse que o governo pensou "seriamente" em eximir jogadores sul-americanos e africanos das novas regras, mas decidiu inclui-los.

"Muitos deles terão condições de contratar um bom professor de inglês", disse o secretário. Esposas e namoradas estão livres da exigência, acrescentou Byrne.

Profissionais qualificados
As novas regras não serão aplicadas aos profissionais que já estão na Grã-Bretanha - só do Brasil, são mais de dez - e só vão afetar os que serão trazidos por clubes ingleses a partir da segunda metade do ano, quando a nova lei entra em vigor.

A medida faz parte de um novo programa, introduzido em fevereiro, que divide os imigrantes em cinco categorias e exige que eles atinjam uma determinada pontuação, baseada em suas habilidades e potenciais benefícios para a economia do país, para ter o direito de trabalhar na Grã-Bretanha.

Os jogadores de futebol, junto com profissionais da área de saúde, comerciantes, entre outros, estão incluídos na segunda categoria, que reúne "profissionais qualificados" com propostas de trabalho na Grã-Bretanha.

Segundo o governo britânico, esses trabalhadores terão de provar "seus talentos e experiência profissional" e serão admitidos no país por certo período de tempo "para preencher uma carência de profissionais em uma determinada área".

As regras referentes à primeira categoria, que inclui "imigrantes altamente qualificados", já começaram a vigorar.

Imigrantes deste nível que desejam entrar ou permanecer no país, sem uma proposta de trabalho, têm de atingir 75 pontos para conseguir o visto. A pontuação é concedida de acordo com o nível educacional, conhecimentos de inglês, renda e idade.

Empresários, cientistas, investidores, pessoas com mestrado e doutorado cursados fora ou dentro da Grã-Bretanha estão incluídos nesta categoria.

Outra exigência também já introduzida pelas autoridades britânicas estipula que empregadores que ofereçam trabalho a ilegais terão de pagar multa de 10 mil libras (cerca de R$ 33,2 mil) por cada trabalhador em situação irregular.

retirado do Uol Educação: http://educacao.uol.com.br/ultnot/bbc/2008/05/07/ult3278u31.jhtm


É justo ou não é justo cobrar dos imigrantes saber falar a língua local do país?

Eu acho justo. O imigrante não é um turista, que está a passeio. É um novo morador / trabalhador / cidadão daquele país, e o mínimo que ele deveria fazer para se integrar naquela sociedade é se comunicar - entender e se fazer entender.

Agora, é dito que a prova é aplicada somente para os trabalhadores - no caso da reportagem, para os jogadores de futebol - e as para as esposas, namoradas, companheiras estariam isentas de tal obrigação. Por quê? A mulher não vai trabalhar? Não vai se integrar na sociedade? É uma atitude machista, que não coloca a mulher em paridade com o homem. Mesmo porque se tem alguém que interage pra caramba com a sociedade é justamente a mulher... nossa, como conversa pelos cotovelos...

E quanto a atitude de avaliar o caráter profissional do imigrante para direcioná-lo para a área que mais necessita? Isso pode ser encarado como uma atitude segregacionista, porém, também pode ser vista como uma forma do governo de proteger os cidadãos nativos da região, o que me parece justíssimo, porque aquele é o país deles, então chega inclusive a ser uma questão nacionalista: é o governo à favor da sua população.
E, claro, eles pagam imposto há muito mais tempo.

Essas novas regras de imigração, em seu caráter nacionalista, são muito interessantes, e deveriam ser adotadas em outros países. Agora, bem que essas falhas como a isenção das mulheres dos imigrantes de realizarem a prova poderiam ser revistas.

Comentários

Axel Pliopas disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Axel Pliopas disse…
"É uma atitude machista, que não coloca a mulher em paridade com o homem. Mesmo porque se tem alguém que interage pra caramba com a sociedade é justamente a mulher... nossa, como conversa pelos cotovelos..."

Será que há no mundo algum comentarista mais machista do que você?

E outra... se a lei estabelece que é o trabalhador que deve fazer a prova, não está sendo machista. Acredito que se o trabalhador migrante for uma mulher, será a mulher que deverá fazer a prova e não seu marido, certo? O machismo ou não machismo de nossa sociedade não está nessa regra... Está na assimetria do número de mulheres que viajam acompanhando maridos trabalhadores com o número de homens que viajam acompanhando mulheres trabalhadoras.

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